26 de maio de 2014

SOM


Por Moema Ameom

No princípio tudo era sOM.

ELE criou as danças atômicas com as quais minhas moléculas buscaram caminho rumo a Lós e Aul. Processos de absorção transcendental deram início à escrita da partitura de minha existência.

Tendo como palco o Sistema Solar, recebendo influências diversas, meu sOM foi cuore.o.grafando movimentos vitais com o foco na criação da matéria. Conduziram-me ao mergulho em um profundo lago cavernoso. Líquido amniótico! Os passos da coreografia já estavam criados no senso cognitivo; faltava burilar, limpar e adequar, ajustando-os à minha capacidade de execução. Era preciso gerar a conscientização dos mesmos.

De que vale ter, sem saber como usar!

Nadando em águas vermelhas, fui captando reverberações sonoras da medula óssea que comandava aquele Sistema Receptor. Outros sOMs começaram a serem introduzidos in.mim. Vibrações cuja dis(re)sonância formataram minha consciência sobre “quem era eu”.

Já não conseguia reconhecer o meu sOM original. Aprendi a seguir os que me levariam ao Objetivo Geral do meu projeto: ser humana.

Ao sair da caverna vislumbrei a LUZ.

Como fazer para voltar e sinalizar o caminho? Como ensinar a importância do olhar na escuridão? Como aplicar os conhecimentos adquiridos em minha trajetória universal durante a estada no Planeta Terra?

Sei que o primeiro berro dado já não tinha as reverberações do meu sOM. Ele trazia a vibração sonora de medos, inseguranças, insatisfações, tristezas, raivas e mágoas existentes no mundo sombrio onde gerei a matéria. Poucas alegrias, falta de prazer e um intenso sentimento sadomasoquista reinando absoluto. Meu corpo físico assim foi criado; sob as tensões irregulares de ondas emocionais mal vivenciadas.

Foi dada a largada para um páreo onde do(r)enças (iniciadas aos 3 anos), jamais foram sentidas como veículos de aprendizado.

Mas... eu sabia que havia um registro molecular. De tanto entrar e sair das cavernas que se apresentaram diante de mim, fui re.conhecendo meu sOM.

Descobri a fraqueza causada pela Pre.potência, fonte da grande enganação do poder (vice-versa). Como pre.encher-me com o sOM original mantendo a necessidade de mostra o caminho da  LUZ para quem não queria vê-lo? Como deixar-me ser frágil tendo que me manter forte? Pra que? Por que? Objetivos Específicos seguidos à risca no meu Projeto Vida, onde a mente confusa escrevia múltiplas Justificativas imaginando que eram processos criativos.

Sensações dissonantes com o meu sOM que deixavam minha potência voltada para fora; sua reverberação não ganhava ressonância nas minhas cavernas ósseas. Não tinha como Re.Conhecer-me.

Mas o Grande Maestro, presente todo o tempo, sinalizou-me as ondas de retorno. Nova.mente mergulhei. Desta vez para fora da caverna.

Estou indo na Luz, em nome de L2, conectada à Mama Gaia... forever!

Ame OM... Moema.

21 de abril de 2014

SONHO

Batizaram-me com o nome de Moema, aquela que sonha, segundo alguns.

Hoje, apresentando-me ao amanhecer, descobri in.mim um enorme medo de sonhar.
Rodopiei nas vozes de meu coração questionando: por que? por que?....

De repente ele me respondeu: " Por medo da realização."

Oh! Céus!....Gira mundo, gira roda, gira, gira, rola, rola....qual o medo maior?
Onde foi parar a linha limítrofe entre estes dois?

Se...eu sei que sonho é motivação...
Se...eu sei que é a mola propulsora da ação...
Como ter medo da realização se o próprio sonho já É movimento de realizar?

Olhar para o Sonho como sendo realização é maluquice?
"SIM"...diriam muitos..."onde já se viu acreditar que ao sonhar você já realizou ou está realizando?" "Se ninguém está vendo resultados efetivos, como pode chamar isso de realização?"

O que são "resultados efetivos?" devem ser aqueles que "rendem retorno financeiro"....

Então... é medo de ser considerada louca? Medo da minha Lo(u)comoção? Emoção?

Bem...sonhar não dá dinheiro a ninguém mas, apostar nos sonhos vivificam os processos cognitivos e nada destrói mais a vida do que deixar de sonhar ou impedir alguém de sonhar.
Como equilibrar-me nas ondas emocionais se não puder acreditar nos meus sonhos?

Dar crédito aos sonhos....Não tem cartão de crédito para pagar sonhos. Mas, e ter fé?
Posso ter fé nos meus sonhos?
Talvez possa desde que seja uma fé comportada, ajustada às fés comuns...mas estas não dão suporte aos meus sonhos.

Não quero sonhar em conjunto. Quero compartilhar meus sonhos com aqueles que os entenderem como sendo úteis aos seus próprios.
VOU SONHAR!
Já estou realizando.... e ...olhando para trás vejo que venho sonhando este meu sonho há muito tempo. Anos e anos a fio renegando-o em prol dos outros.

Reneguei muito meus sonhos. Alimentei-me dos sonhos de quem sonhava durante muito tempo  ajudando a realização efetiva de muitos.

Agora vou assumir meus sonhos e vou aceitar o nome que me deram, olhando-o no espelho: Ame Om...quem ama OM é capaz de valorizar sonhos!

 

18 de março de 2014

Trans...Form...Andando.

Por Moema Ameom

PALAVRAS! Ditas, escritas ou pensadas! Para onde me levam? Varinhas mágicas capazes de me jogarem nos fluxos e refluxos emocionais, indefinem meus caminhos; produtoras eficazes de meus movimentos, palavreiam minha essência rumo ao infinito!

                                              *

Toda relação torna-se interessante quando nos oferece alimento ao desejo; mas o verdadeiro aprendizado surge quando desaparece o interesse permitindo que o involuntário faça a festa.

                                               *

A verdade traz contida em si a real potência da transformação. Será devido a este fato que seja tão evitada por nós?

                                                *

O que são ações e reações senão símbolos de nós mesmos? Nos capacitamos para enxergar nossos símbolos? Para a.creditar.mos neles?

                                                *

DESESCOLARIZAÇÃO... entendo como sendo o desejo de sair de um padrão conceitual. Saindo deste para onde ir? Para criar outro...e outro... e outro... ou seja... novas e novas escolas. Sempre será necessário escolar, ou aninhar ideias para que possamos gerar movimentos renovados, caso contrário desmaterializaríamos o Universo. Não haveria mais estrelas! Oh!...dó!

                                                *

A dança é a energia vital que nos conduz à vida; para ser bailarina(o) não basta saber dançar...é preciso aprender a bailar.

                                                 *

Quando os princípios da relatividade, autonomia e vazio se apresentam, ficam os desejos, sonhos e imaginação a nos guiar. Fica A ARTE e suas inspirações levando-nos a expirar a essência! No instante da consciência indago: qual a função do EU? Do nome? bastaria som...ameom. Amo!

                                                                                           *


Onde se encontra a responsabilidade tão cobrada e enaltecida? No como contido em nossas ações vibrando em reações! Na melodia que emanamos ao falar! Nas ondulações do caminhar! ... no olhar!

                                      *

Onde encontrar o AMOR PRÓPRIO? Na tênue linha divisória entre eu e o próximo. Sendo reciclável esta é uma linha que apenas a imaginação dá conta!

                                                                                             *

O VAZIO não é O VÁCUO. No vácuo desintegramo-nos. No vazio nos reintegramos às vibrações sonoras que nos compõem na partitura da existência.

                                                                                             *

Invariavelmente vejo no outro qualidades que não vejo em mim; em seguida convivo com a reflexão.
Reflito-me.

                                                                                             *

O VERDADEIRO APRENDIZADO DEVE SER TOTALMENTE DESPROVIDO DO DESEJO DE ENSINAR


10 de março de 2014

Dançando em meu Túmulo - Gelsey Kirkland

 
 
Por alguns anos a leitura deste livro me orientou e guiou. O trecho que reproduzo abaixo ajudou-me por diversas vezes a reler minha incapacidade de ver nos outros, o espelho de mim mesma. Aos poucos fui somando ao fato de ser bailarina o de ser filha única (sem irmãos para espelhar meus pais). Com uma leitura empobrecida de mim mesma, fui buscando meus processos individuais e solitário de descobrir-me. Moitakuá assim nasceu.
Que a leitura a seguir possa auxiliar jovens talentos de hoje a encontrarem suas belezas interiores, espelhando-as, de maneira harmoniosa, para as plateias mundiais.( Moema Ameom)

" Ao longo das fases iniciais da minha carreira o espelho era meu nêmese, sedutor até o ponto da dependência. Passar para o outro lado do espelho significava confrontar-me com uma sósia que expunha todas as minhas falhas e salientava todas as minhas imperfeições físicas. Durante um certo tempo, a imagem na minha cabeça entrava em conflito com a imagem no espelho. Até que a oposição entre as imagens fosse resolvida, eu me via como um pedido de desculpas ambulante, incapaz de atingir ou manter a minha ideia constantemente apurada de beleza física.

Com todas as inseguranças intensificadas, tornei-me o meu pior crítico, embarcando numa procura estética de perfeição, no final, curasse as feridas que eu mesma me infligira. Tentando aperfeiçoar  tanto a minha aparência quanto a qualidade de meu movimento, não percebi uma contradição. Enquanto eu continuava a me educar, meu amor e raiva casaram-se dentro da minha personalidade.

Permaneci criança. Trabalhava e vivia em isolamento, numa solidão quase absoluta que, hoje, vejo totalmente desnecessária. Eu me enganava, às vezes deliberadamente. Eu não estava só.

As intermináveis repetições de exercícios na barra diante de um espelho refletem uma imagem deformada que muita gente tem do balé, uma imagem compartilhada por muitos dançarinos. O lado físico da disciplina inclui um certo grau de tédio, acomodação e dor. Porém as horas de ensaios não contam se comparadas ao terror emocional que às vezes atormenta um bailarino quando estuda o seu reflexo no espelho. Esta ansiedade não se de deve à simples vaidade ou medo de rejeição profissional.

Como na lenda de Narciso, o belo jovem que se apaixona pelo próprio reflexo, o relacionamento do dançarino e sua imagem no espelho é uma intimidade de poder extraordinário e consequências potencialmente muito perigosas. A   dos dançarinos acaba por parecer afogar-se em suas próprias imagens, empurradas por forças invisíveis. As dimensões da tragédia são reveladas apenas quando vidas e personalidades são destruídas. Até então, os danos permanecem invisíveis.

Desconfio que todo dançarino sente o espelho de um modo singularmente pessoal, embora muitos talvez não deem conta do poder que ele exerce sobre suas vidas e como ocorreu aquele estado de servidão artística. Seguramente poucos levaram o relacionamento aos extremos do começo
 da minha carreira, e um numero ainda menor deu um jeito de inverter o domínio do espelho.

Como instrumento de ensino primordial para a dança (*), o espelho fomenta a ilusão de que a beleza é apenas superficial, que a verdade encontra-se apenas na plasticidade do movimento. Parece preferível imitar do que criar. A imitação pode ser variada para criar a impressão de originalidade. Existem infindáveis possibilidades para quebrar o molde humano em padrões inusitados. Ousar dançar não mais envolve risco, virtuosismo e força de convicção. O dançarino pode ganhar aprovação por passos que não exigem uma decisão real em termos criativos ou de composição.

O dançarino é treinado para observar, para entrar no mundo do espelho até que nem seja necessário olhar. A medida que se transforma num reflexo cheio de si, não aprende a testar a beleza, a descobrir sua vida interior. Desta forma, o espelho aprisiona a alma acabando por quebrar o espírito criativo. Um dançarino desses é criado, mas não sabe criar. Sem sucesso e popularidade, a situação fica ainda mais precária. a qualquer momento, com mudanças caprichosas da moda, uma verificação no espelho pode revelar uma tragédia...que ele ou ela foi criado para nada." (pags.71/72) 
 
(*) Eu, Moema, considero o espelho totalmente dispensável para o ensino da dança. Sua utilização surge apenas em alguns momentos para intensificar a comparação entre a observação interna (esta sim indispensável) e a externa, com a intensão de reconhecer os níveis de olhares de uma única expressão.