12 de outubro de 2015

PERCORRENDO CAMINHOS



Atualmente, sempre as segundas e quartas, saio de casa para ir ao Rio. Como não possuo carro e não dá para ir de triciclo devido ao tempo relativo à distância, utilizo três horas para chegar ao meu destino. São nove horas de locomoção para ministrar aula de uma hora e meia para uma ou, às vezes, duas pessoas.

Invariavelmente ouço palavras interessantes ao sair de casa: “Cuidado com os arrastões.” “Será que vale a pena se sacrificar tanto?” “Nunca haverá reconhecimento à altura”. “Fica correndo risco de vida pra ganhar o que? Quanto lhe pagam?”

Hoje resolvi selecionar, catalogar e registrar algumas das muitas frases “estimuladoras” que compõem minhas manhãs, utilizando-as como tópicos para o desenvolvimento de idéias. Talvez pudesse chamá-los de capítulos e assim o farei.

  • Capítulo I - Cuidado com os arrastões


Remeto-me a processos genéticos e hereditários que escrevem minha história molecular, focando-me em minhas avós materna e paterna. Se por um lado minha avó Céo ensinou-me a sublimar dificuldades fazendo uso da arte para transformar problemas em movimentos criativos, minha avó Sylvia (qual seria seu nome de batismo na tribo dos Goitacás?), deu-me garras e ímpetos para cuspir caroços que entupiam minha carótida. 

Gosto de relembrar os raros momentos em que as via dialogar. Poderia dizer que estes encontros me colocavam diante do Paraíso e o Inferno; Deus e o Diabo; Claro e Escuro; Intelecto e Primitivo, sem saber de onde vinha qual deles e para onde iam. Minha vó Céo sorria; vó Sylvia gargalhava. Como ambas se respeitavam mutuamente em suas diferenças – aprendizado maior - eu, redigindo este texto, vejo-as diante de mim brincando com as emoções que delas brotavam. Uma estimulando a outra.

Mas, o que tem isto a ver com arrastões?

Fico imaginando o que faz um povo cujas raízes indígenas, onde o sensorial, a intuição, a percepção e sensibilidade são tão intensas e ainda tão vívidas nos processos cognitivos, ficar totalmente paralisado diante de movimentos que solicitam reações imediatas.
O que fizeram com nossos dentes? Nossa memória?  Nosso desejo de assumir a identidade onde a etnia produz tanta potência medular? Que rede é esta que jogaram sobre nosso berço esplêndido? Uma rede paralisante tal qual a que é jogada sobre mim ao sair de casa?

Eu a denomino “rede dos medos planetários” ou simplesmente Holofobia, termo aprendido com Dr.Stèphano Sabetti. Medo de pesquisar sentimentos profundos provenientes da composição holística do Ser.
Medo de olhar para o próprio umbigo descobrindo histórias desagradáveis; síndrome da criança birrenta que esperneia para ganhar o que quer, como quer e no tempo desejado. Se a bala não for aquela do papel cor de rosa, não serve; utiliza-se litros de energia para buscar o doce escolhido enquanto muitas balas perdidas vão passando e se encontrando em seres alienados da sua capacidade interna de ir para o fogão fazer muitas e muitas balas coloridas para dar,vender, distribuir e saciar o espírito.

De onde vem esta impotência?

Seria da plena desvalorização das potencialidades aqui encontradas pelos colonizadores europeus, por estarem eles àquela época com a consciência tão distante de seus sensos primitivos? Com matérias moldadas por valores distintos dos que aqui encontraram como será que se sentiram ao se depararem com corpos nus, olhares incisivos, pés e mãos enormes, peles pintadas? Vendo anotações da época lê-se: selvagens. Nas entrelinhas: incultos, incapazes de criarem conceitos próprios. Irracionais.

Minha avó Céo, culta, valente, guerreira, que amava o Brasil e por ele lutava (foi enfermeira de guerra), estremecia diante da potência vocal de Sylvia. Hoje, relembrando-as, entendo os tremores que percebia nela quando a gargalhada ecoava. Depois eu ouvia de minha mãe:”Rir assim é falta de educação.”

Educação!

Serão os arrastões conseqüências de uma educação moldada em padrões que não atingem a alma deste povo?

“Cuidado com os arrastões” é uma frase que orienta e sendo assim, educa. De que maneira atinge uma alma sensível em momento de partida para uma conquista ou realização? De minhas observações pessoais, colho in.forma(a)ções de que desestabilizam as captações sensórias criando couraça de defesa que afastam os campos sensitivos e primitivos dos movimentos motores. Perdem-se os defensores naturais do Sistema. Se ganha violência. Lanças, facas, armas e agressões gratuitas surgem como único caminho de preservação da vida.

No meu caso a névoa encobria as ações e sons sussurrantes cuspiam reações incoerentes que me levavam a naufragar nas próximas ações.
Cuidar com atenção requer equilíbrio emocional. Como? “Não tenho tempo pra temer a morte” era um mote repetido junto com “Cale-se! Afasta de mim este cálice!” Sem temer, ou brigando para não se inebriar, por onde andava a consciência? Bem longe do fluxo vital que nutre o Ser.

Como educar?

Como orientar seres humanos, brasileiros ou não a despoluírem seus rios internos onde águas límpidas aguardam para mergulhos diários?

Cenas do próximo capítulo.

  • Capítulo II – Será que vale a pena se sacrificar tanto?


Quando rompemos a rede de acomodação experimentando movimentos diferentes dos já conhecidos, verdades internas vêm à tona. É como revirar a terra para plantar sementes. Surgem minhocas, formigueiros subterrâneos, raízes submersas. A ilusão sobre a produtividade daquele pedaço de terra desvanece. Surge sua real potência e precisamos nos dispor a vê-la de forma bem diferente da nossa imaginação.

O que acumulamos, armazenamos, guardamos em nossas teias internas, quando estimuladas por motiv.ações diferentes do comum, trazem sensações  desagradáveis. 

Aflições escondidas; raivas esquecidas. Estava tudo tão bem arrumado, ou seja, desarrumado na tranqüilidade aparente. Somos capazes de aprender tudo em nome da paz interior, inclusive a nos sentir confortável no desconforto.

O mais interessante de ser observado neste jogo da vida é o processo respiratório. Sempre imaginamos que estamos respirando muito bem. E não? Lógico que sim diz a razão. Ou será a lógica? Muitas mensagens são enviadas para o imaginário que, sendo a fonte artística do Ser, cria e recria idéias múltiplas sobre os movimentos do ar. Os lados encefálicos, geralmente se debatem entre certo e errado inibindo as vibrações harmônicas da alma. Sentimentos se deturpam; bloqueiam articulações desviando o esqueleto ósseo. 

Desvendar os mistérios da essência é uma tarefa onde a beleza e a pureza encontram-se no ato de experimentar, ousar, arriscar revirar a terra confiando no poder transformador da visão, sensação, percepção e consciência. São brincadeiras do espírito que, para educarem o Sistema precisam de limites objetivos provenientes de orientações apreendidas. Aprender a reconhecer o que ainda desejamos aplicar na formação do momento descartando o que foi usado no tempo anterior, é um trabalho tão árduo e gratificante quanto cuidar da flor e do fruto para alimentar o corpo.

Vale a pena?

Será sacrifício percorrer caminhos desconhecidos duas vezes por semana? São muitas dúvidas, muitas ondas emocionais a serem vivenciadas.

Ensinaram-me os colonizadores que isto gera sacrifício; podemos ser crucificados se insistirmos em criar novos conceitos. O medo do chicote arde a pele. Os pregos furam as mãos. As dores somáticas fazem os ossos dançarem em agonia. Esbravejam. Tremem a terra.

Como deixar fluir o desejo de experimentar?

Em estudo neurológico leio: ”O encéfalo só absorve aprendizado através da vivência e experiência.”(Robert Lent)

 Eu sempre acreditei intuitivamente nesta premissa, mas nem assim conseguia conviver bem com experiências que eu via como sendo negativas, desagradáveis, ruins ou feias, principalmente quando as percebia em entes queridos.

A vontade era segurar, prender, amarrar, mesmo que apenas usando a frase:

” Vale a pena tanto sacrifício?”

O mar das dúvidas sufoca, cria nós na comunicação; trava o som, coíbe palavras, perturba a razão e a lógica por alterar ondas emocionais; sentimentos. O tempo biológico perde o compasso, o ritmo, a harmonia; a melodia se deturpa.
Como fazer para encontrar outra tradução para sacrifício? Ofício do sagrado?

Trabalhar neste ofício dá prazer! Muito prazer! A sagrada labuta diária de cuidar da plantação retirando as ervas daninhas, é compensa.dor. Mostra-nos processos de super.ação. Faz-nos sentir o único poder capaz de nos manter vivos: o de nos alimentar com nossa própria potência de realização.

Observar as flores, colher os frutos e saboreá-los ao final do dia, nos faz sentir o pulsar dos movimentos vitais.

Como diz um certo anúncio:”não tem preço!”

No meu caso particular, dentro do fato citado no prefácio, ainda existe o exercício de percorrer longos caminhos a pé, testando movimentos articulares que há bem pouco tempo estavam muito debilitados e machucados (tanto quanto minha alma). Ver-me e sentir-me locomovendo-me sem dor, podendo harmonizar ritmos internos/externos é motivo de muitos aplausos para mim; eu os produzo.

Somando a isto, como venho recebendo belas orientações do Dr. Paulo Gusmão, incluo em minhas autopesquisas o fato tentador de percorrer odores e visões que acordam tentações remetendo-me a um passado que não quero mais in.mim. São drogas em forma de guloseimas, prontas para corroerem minha saúde. Benditas experiências com dependentes químicos como terapeuta que, transformadas em conhecimentos, vêm em meu auxílio enquanto percorro a rua Voluntários da Pátria. Sou voluntária no cuidado com os seres humanos a começar por mim mesma.

Tarefa para esta brasileira que não desiste nunca, neta de Cléo e Sylvia.

Vale muito a pena!

Que venha o parto  do próximo capítulo.




  • Capítulo III – Nunca haverá reconhecimento à altura.


A palavra reconhecimento sempre me aponta o dedo dizendo: ”Conheça-te a ti mesma” “Reveja seus atos, repense suas idéias, reorganize seus sentimentos, relembre suas ações revisitando as reações; reconheça o minuto recém experimentado no momento que está vivendo. Sinta o recuo das águas para perceber o tamanho da onda.”

 Quando atriz, participei da montagem do Allegro Desbum ...” de Oduvaldo Vianna Filho ( Vianinha). Belo texto, peça ousada com direção corajosa de José Renato. Convivi durante um ano com artistas incríveis dentre eles Francisco Milani, Berta Loran e Gracindo Junior com os quais minha personagem (Ênia) contracenava mais.Fui responsável pela preparação corporal do elenco e, ao substituir repentinamente a Neila Tavares por motivo de doença, acabei ficando seis meses em cartaz no Teatro Ginástico, RJ. Naquela época a folga era apenas às 2as feiras sendo que aos sábados e domingos dávamos duas sessões. 
Portanto, aquele belo texto era repetido 9 vezes por semana.

As palavras, com alguns acréscimos ou supressões devido a presença de censores, eram as mesmas. Mas a intenção, dependia do que se captava da platéia. Era necessário absorver o retorno e reconhecê-lo nas sensações corpóreas para dar o “tempo” (time) exato da emoção.

Tudo brotava fluidificante no momento da ação, porém muitos ensaios e árduo trabalho eram necessários para produzir fluxo “natural” aos sentidos; treinava a razão e a lógica da personagem para assumir alguém que não ouvia, via, percebia ou sentia como eu.

De minha avó Céo vinha a habilidade cênica. Da Sylvia a força simbiótica da religião xamânica que ela professava. Fui aprendendo a conviver com personagens; filha, atriz, bailarina, professora, coreógrafa, sobrinha, prima, colega, mulher e mãe. Enfim, infinitos sensores processando meus movimentos vitais em diversas direções.

Realmente nunca haverá reconhecimento suficiente para suprir os anseios de das personas. Todas desejosas de serem acariciadas, acolhidas, compreendidas, entendidas, amadas. De onde brotava o desejo? Do meu desejo de ali estar. Os anseios? Dos movimentos expiratórios. A angustia era causada pela in.Satisfação proveniente da in.Capacidade de aprender a aprender comigo mesma.

Hoje, relendo o que acabo de redigir (ou será re.digerir?), olho o caminho percorrido pensando na “altura”.

Qual será a altura do reconhecimento?

Será relativo à grandiosidade do aprendizado?

Quando me vejo diante de alunos, clientes, amigos ou parentes e revejo-me nas suas conquistas das quais conscientemente participo de alguma forma, sinto-me “alta”. Imensa. Gigantesca às vezes. Mas, quando falo em reconhecimento e pessoas me vêem como sendo alguém que espera do outro algo que não seja partilha e comunicação verdadeira, humanidade ou respeito aos meus sentimentos, nestas situações torno-me minúscula. 

Encolho-me para que a onda passe.
Há um tempo sofria, ao me recolher adoecia; conseguia atenção cuidado e aplausos com a doença. A cena ficava perfeita!

Mas nunca fui muito chegada a drama; sempre gostei mais de alta comédia, gênero teatral dos mais difíceis por ser aquele onde exercitamos o ponto do equilíbrio.

Ênia, em sua cena de despedida, depois de conseguir se libertar da dependência do amor doentio por Abujanra, dizia mais ou menos assim: “Vim me despedir” “Vai pra onde?” “Vou viver minha vida.”

Pode até ser que as palavras não fossem estas mas a emoção da cena ficou gravada no fogo de meus ossos e a sinto até hoje a cada amanhecer. E, despertando-me, busco sempre  reconhecer o Allegro ma non troppo do grande desbundaccio que foi e continua sendo meu belíssimo país, nem um pouco reconhecido em seus valores reais.

Em tempo: o título original que Vianinha colocou na peça foi “O Allegro Desbundaccio” sabe-se lá por que, a censura trocou para “Allegro Desbum...” 

Deve ter sido para aliviar o risco de vida que corríamos ao dizer o que constava do texto original sob mira de revólveres da política vigente na época. Aliviar? Ou instigar ainda mais nosso desejo de transgredir as ordens?
De qualquer forma, ajudou-me muito a continuar na transgressão a fim de encontrar prazeres que não têm preço; que me pagam com as moedas invisíveis do amor à arte e à tudo que ela proporciona para minha ânima.

Adoro me animar!




   


  

9 de agosto de 2015

Exercícios de Moitakuá

Atendendo ao pedido da ReNata Batista, moitakuense de raiz, venho aqui desenvolver algumas orientações de exercícios de Moitakuá registrando novas descobertas sobre regulagem tonal. 

É sempre bom lembrar que a regulagem tonal é muito importante para o fortalecimento dos processos moleculares (celulares) de contração/expansão (ação/reação) responsáveis pela defesa imunológica do organismo. Regular o hipo e hiper tônus dá ao Sistema condição de melhor ajustar a partilha entre SNC e SNP permitindo ao fluxo da energia vital maior e melhor locomoção no CF, ampliando a potência do PQ e do Ego. Esta fluidez é a responsável pelos movimentos da cura psicobiofísica in.nós.

Venho ultimamente desenvolvendo com maior intensidade o processo respiratório dentro da metodologia dando a ele um lugar especial de observação. Devido a isso, antes de iniciar qualquer exercício é fundamental dar atenção aos seguintes movimentos:

1- o que acontece quando o ar sai pela boca produzindo a expiração? Para que a pesquisa ganhe amplitude, experimente expirar com os lábios contraídos (como se enchesse uma bola de aniversário) e descontraídos. O que sente acontecer nas vísceras quando coloca o ar para fora? Como fica a língua dentro da boca?
Depois de colher dados com estas observações direcionadas, cuide para manter, ao expirar, a contração orgânica que surge como conseqüência da saída do ar, o maior tempo que puder antes de permitir que ela se transforme em expansão devido à entrada do ar. NÃO inspire...Não puxe o ar de fora...simplesmente deixe que a expiração se transforme em inspiração. Naturalmente. 

2- Descanse entre uma expiração e outra para não sobrecarregar o organismo. Aos poucos o espaço entre uma expiração e outra vai diminuindo até tornar-se contínuo.

3- Não permita que a face se contraia durante a expiração. Principalmente as sobrancelhas. 

Estes processos de observação podem ser feitos deitado, sentado ou em pé, porem, para melhor absorção da conscientização dos movimentos, é aconselhável que não deixe de ser feito deitado e de estomago vazio. Por isso, o melhor momento para estes trabalhos é pela manhã antes de levantar e ao deitar antes de dormir desde que o espaço da ultima ingestão de alimentos seja de 3 horas.
Lembremos que o diafragma fica sobre o estômago tendo acima dele o coração, por isso, com estes exercícios, estaremos auxiliando os movimentos dos aparelhos circulatórios e digestivos oxigenando-os com movimentos conscientes da expiração. Fazemos assim, uma massagem visceral; uma limpeza de toxinas.

Durante os exercícios que sinalizarei abaixo, utilizaremos três modalidades respiratórias que eu chamarei de:

MA - expirar durante o movimento com o corpo, manter o movimento durante a entrada do ar e voltar o movimento junto com a expiração (princípio do Pilates).
MB – expirar durante o movimento com o corpo, manter o movimento, deixar o ar entrar e expirar novamente intensificando a pressão (contração) do movimento. Ao voltar, fazê-lo com a expiração.
MC – inspirar sem puxar o ar de fora e sentir a expansão da caixa torácica. Manter esta expansão e expirar. Inspirar novamente procurando ampliar a expansão e depois expirar deixando o ar desmanchar naturalmente o movimento da caixa torácica.

Atenção!
É importantíssimo não esmorecer os processos de contração observados na expiração quando estiver desmanchando o movimento do corpo. Conscientizar que o processo respiratório é o mesmo independendo da qualidade tonal dos movimentos é muito importante para que possamos manter dentro do Sistema nossas ondas de retorno. Quando a saída do ar leva o movimento para uma hipotonia, a entrega vira abandono e as ondas vibratórias produzidas no CF se perdem aumentando a retenção das vibrações energéticas da medula nas fáscias (SNP). O mesmo acontece ao revés quando a saída do ar não acontece por inteiro. Ou seja...expirar demais ou de menos desajusta o equilíbrio tonal.

Exercícios
 
Deitar e dobrar as pernas apoiando os pés no chão ou cama. Colocar apoio para cabeça. Colocar as mãos sobre as costelas afastando os cotovelos. Dar tempo para captar sinais de observação sobre o momento corpóreo.


Focar a atenção na região sacral (final da coluna vertebral). Começar o processo respiratório MA. A cada expiração, pressionar o sacro no chão. Repetir no mínimo 3 vezes e no máximo 5 vezes. Observar o movimento natural que surgirá no crânio.
 
Ao finalizar, coloque as mãos embaixo do quadril ladeando o sacro. Pratique o processo respiratório MC apenas 3X.
 
Volte ao processo MA utilizando como movimento as sobrancelhas. Ao expirar sobe as sobrancelhas, etc...
 
Seguindo comece a utilizar o processo MB com o movimento de pressurização do pé direito. Mantenha a pressão ampliando-a por no mínimo 3X e no máximo 5. Repita com o pé esquerdo. Observe o movimento natural da pélvis.
 
Retire as mãos. Espreguice muito o corpo buscando bocejo amplo. É importante lembrar que, a cada exercício, as reações do corpo devem ser muito respeitadas, sejam elas quais forem. Caso surja ondas emocionais deixe que brotem. Ex.: choro, riso, agonias, tremores, arrepios, tudo não passa de energias retidas que precisam fluir livremente. A retenção das mesmas é a causadora de do®enças.
 
Retorne à posição inicial e concentre-se nas sensações que captar. Faça uma re.Visão re.Lembrando como se percebia ao iniciar o trabalho e como está no momento. Registre na memória por um tempo o que está sentindo. Este exercício auxilia na mudança de sintonia sensória ampliando o grau da consciência.
 
Continuando...(se quiser); junte as pernas e cruze a direita sobre a esquerda. Leve os braços para cima colocando as mão embaixo do crânio com os dedos entrelaçados. Se os cotovelos não abrirem totalmente, apóie-os com almofadas para não forçar a articulação umeral. Dê um tempo para perceber os dedos das mãos, pés e boca. A mandíbula sempre muito solta e pesada, levando com ela a língua.
 
Comece a pressionar a perna direita na esquerda usando a respiração MB 3X Comece a deixar a perna direita conduzir a esquerda para o lado sem descruzá-las mantendo a respiração MB mais 3 x. ao final retornar ao centro com expiração. Dê um tempo e sinta se vai querer repetir. Caso contrário, solte braços e pernas espreguiçando muito. Repita o outro lado.
 
Abra os braços com as palmas das mãos no chão mantenha os pés bem alinhados e suba o quadril utilizando a respiração MA. Total de 5 X.
 
Volte com as mãos para baixo do crânio, pernas dobradas, feche os braços em volta do crânio. Usando a respiração MB, deixe que os braços levantem o crânio. 3X e retorna com a expiração. Repetir no mínimo 3X o total.
 
Abre os cotovelos e pratica a respiração MC algumas vezes.
 
Espreguice MUITO e deixe o corpo criar movimentos usando os diversos tipos de expiração que surgir.

Bom dia! Boa noite!  
    


7 de agosto de 2015

COISAS DE VIAGEM II

ou ...Id x Ego ou ... CO x CF ou ainda...Q x PQ.


Toda organização alimentar previamente traçada pelo Ego de acordo com o PQ, cai por terra com apenas um olhar aguçado do Id que esperneia e berra no CO fazendo valer o Q.

Pronto.
Acabam-se os cálculos financeiros; emudecem-se as frases " posso isso; não posso aquilo. Devo isso; não devo aquilo" Desmoronam-se os conceitos, regras, normas que o meu Ego traçou para mim.
Este meu Id informal, infernal, levado, anormal, sapeca e temperamental me leva a gastar um dinheiro que não podia para satisfazer uma gula que, ainda por cima, meu PQ grita:"Você não pode!"

E lá se vai meu CO gargalhando, com expressão travessa, se deliciando com a guloseima cara. Tudo bem; resgato meu conhecimento do idioma italiano e faço meu CF entender que "cara" é "querida". Um pouco de amorosidade com esta criança por favor!

Pois é! Estes dois as vezes, quando entram em conflito, me fazem rir. Há um tempo atrás me enlouqueciam. Não sabia o que fazer com comandos tão distintos e dissonantes. cada um me puxava para um lado e as tramas do CF (Sistema Nervoso Periférico) se estressavam excessivamente. Resultado: neca de ar no meu planetinha sistêmico.
Hoje, ao perceber o que tinha acabado de fazer motivada por minha alma, lembrei de meus netos.
Imediatamente um bebê próximo a mim começou a chorar e a mãe, com expressão de medo da perturbação que o choro podia causar nos outros, calou-o com uma chupeta e um chacoalhar que dizia: " Cala a boca, por favor!"
Eu disse ao meu Id: "Coma com prazer. Não há nada mais valioso que isso. É conquista sua!"
Ao mesmo tempo abracei meu Ego e falei:" Fique tranquilo. Expire. Lá na frente iremos repor o que ficou faltando."

E comecei a me exercitar, porque senão o CF não me entende muito bem. Pra conviver com este Q tão tinhoso e rebelde é preciso muito mais do que somente pensamentos.

Hummmmm.... sigo me deliciando com a arte de minha essência transformada no momento em castanha de caju caramelada. Compartilho com Lavínia e Luke! "Hummmmmm... esconde...esconde... estamos comendo antes do almoço."

6 de agosto de 2015

Coisas de Viagem I

Estou vivendo momentos de profundo prazer onde o estado de maravilha diante da vida, poderia me levar ao delírio caso não tivesse plena consciência da estrada percorrida até aqui.

Se eu não tivesse registrado minha trajetória através de diversas formas de expressão; se não tivesse feito o relatório completo das vivências, não tivesse criado um método com princípio, meio e fim para me orientar,hoje certamente poderia estar em estado de doença mental, caso já não tivesse desintegrado esta matéria por excesso de aflições, agonias, falta de oxigênio.

Ao invés disso, encontro-me na bolha da paz onde CO, CF e CE entrelaçam-se em uma coreografia limpa, bem executada, cujos mínimos detalhes são percebidos durante a execução. A consciência plena existe in.mim.

Permito-me olhar para trás, rever os passos dados não mais com o sentimento amargo causado por julgamentos e críticas; não mais me coloco no banco dos réus; não lastimo tempos perdidos nem busco reencontrá-los no presente. Vejo meu passado no presente e este me sinaliza o valor de tudo que foi vivido como foi vivenciado. Nada poderia ter sido diferente porque se tivesse sido, hoje não estaria sendo como está.

Sentindo-me assim, questiono:" O que nos faz depreciar ou valorizar excessivamente os momentos da existência?"
Não falo por todos, mas por alguns nos quais posso me espelhar. Naqueles que me são bem próximos; até mesmo familiares ou parentes. Não falo pela humanidade planetária, apesar de sentir que poderia fazê-lo por me ver partícula da "farinha do mesmo saco". Falo pela tribo de Moitakuá.

Nestes seres humanos que me cercam, vejo refletir todos os processos de desajustes percebidos, sentidos e experimentados por mim. Vejo a guerra que o CO trava com o CF ( e vice-versa), transformando o CE em campo minado ao invés de campo de defesa pessoal. Para mim, estas batalhas se resumem hoje em algo simples: falta de oxigênio resultante da incapacidade diafragmática de expirar. 
Talvez consiga a partir de agora, orientar melhor neste sentido. 
Com sentido.
Pelos sentidos.

Quem sabe?