12 de novembro de 2013

SOBRE BEBÊS E IDEIAS

Ideias, palavras, conceitos, deveriam ser como bebês; a.cor.dar a curiosidade para desvendar mistérios!
A cada pensamento, um bebê surge dentro da máquina denominada Corpo Físico, despertando a alma rumo ao caos do desconhecido; são processos autônomos que se reencontram a cada segundo com assuntos novos para partilhar.
Quando a brincadeira se manifesta em ideias ou ideais, forma conceitos tal qual o feto se cria dentro do útero materno. Ganha forma. Formata a palavra; ela começa a circular pelos aparelhos do Sistema aquecendo e esfriando as correntezas vitais, via Sistema Nervoso Periférico.
Surgem os medos, ou seja, os limites responsáveis pelos questionamentos. O que fazer? Por que? Pra que? Como?
Quando existe abertura para a partilha entre outros seres humanos ou não, eles são fermentos do espírito; conduzem às experiências e estas às realizações.
Se guardados dentro do instrumento, o som desta criança inquieta é travado; o calor predomina. Hiper-aquecimento global!

Ahhhh!...crianças brincando dentro de um pequeno apartamento são bons exemplos disso.
Atritos ( gritos, risos, cantos, lutas) conduzem à inflamações; ações inflamadas à discussões, polêmicas, brigas, guerra.

O mundo está repleto de crianças aprisionadas e está se transformando em um apt. de quarto e sala, onde pais medrosos tornam-se autoritários mesmo quando se disfarçam de brincalhões.

Por onde andam os questionamentos?
Só encontro preguntas com respostas imediatas dadas pelo Mr.Google.

Cadê aquelas  pesquisas que colocavam os Corpos em movimentos mentais, físicos e espirituais gerando ondas emocionais que motivavam o aprendizado nada permanente?

Alguém viu por aí alguma potência criativa solta, liberta, podendo cair no chão sem se machucar, rir até rolar, chorar sem dramas?

Como viver riscos pelas estradas da vida sem aprender a brincar com conceitos para desconceituá-los?

Como arriscar sem acreditar?
Como dar créditos ao destino sem debitar na conta da existência suas possibilidades pessoais?
Ah!...bebês nascem dentro de nós a cada segundo colocando-nos de cara pro gol. Porque não chutamos?

Será preciso equacionar ou intelectualizar reações para gerar ações?
Where are our football?

Receita para aprisionar ideias:
Ou as vomitamos na cara dos outros derrubando a todos com jatos de arrogância e prepotência ou escondemos nossa criança interior por medo de deixa-las rolar pela vida!

Um hip-hurra ao Superego!

Assim surge a Energia de Controle.

E olha que as crianças cairão...porque os movimentos vitais irão derrubá-las ou desintegrá-las por serem estes seus princípios.

É preciso deixar fluir....atentos para aprender a aprender com o fluxo.
Conclusões tiramos depois, com o único objetivo de construí-las para criar e recriar infinita...mente novas Danças Essenciais

29 de outubro de 2013

Meus Pés


Por Moema Ameom

Gosto de observar meus pés.

Neles estão escritas densas histórias da minha existência.

Lembro-me da época em que eram considerados “chatos”; “pé de povão” como dizia minha mãe; não tinham classe nenhuma.

Olhava para os pés do meu pai: idênticos aos meus. E como era elegante aquele mestiço filho de português com índio!

Por serem, além de “chatos”, caídos e tortos, receberam muitos corretivos; botas, ferros, massagens fedorentas e repugnantes com sebo de carneiro derretido no fogão em uma latinha fétida. Repugnantes e dolorosas lembranças. De bom ficaram as caminhadas na areia da praia de Copacabana, onde eu morava, levada pelas mãos fortes do caboclo que teimava em me fazer viver de forma diferente as deficiências dos meus pés. Mas sua técnica era considerada errada por minha mãe, o que começou desde então a me jogar na dúvida sobre o que deveria ser O Prazer.

O tempo levou-me ao Ballet Clássico, um desejo que assumi como sendo meu mas que certamente era familiar desde que minha avó viu a Anna Pavlova dançando. Eu seria sua substituta! Sem sombra de dúvidas! O veredicto daquela que deveria ser minha primeira professora, Madeleine Rosay, nos idos de 1967, fez minha mãe estremecer: ”Com estes pés e este físico (eu era muito magra e muito alta) ela jamais será bailarina!”

Envolvida por soluços e muitas lágrimas ouvi a voz materna: ”Você será o que quiser ser. Faça por onde corrigir estes pés e o seu físico.” A saga começou aos 7 anos de idade.

Torturei por demais meu corpo principalmente quando surgiram as sapatilhas de ponta e eu não conseguia nem de leve alcançá-las. Minha professora na época – Julia Queiroz – enfatizava o veredicto: ponta nem pensar!  Desista!....ao longe a voz repetia: Insista!

Mas eu dançava na praia, ao som das ondas do mar e me sentia feliz! Meu pai marcava ritmo com as mãos e dizia “dança mulata, dança!” Adorava dançar ciranda, jongo e samba ao ritmo do seu batuque manual! Às vezes cruzava com D. Nina Verchinina e seus cães e ela sempre gritava ao longe: ”Dança Isadora!” Eu não entendia porque trocava meu nome; mais tarde, quando fiz aulas com ela, soube que se tratava de uma referência à Isadora Duncan.

E lá fui eu...massacrando e brincando com meus pés. Conquistei as pontas sem muita segurança. Conquistei o Ballet Clássico sem grandes paixões. Conquistei um certo lugar no cenário carioca como bailarina. Tudo muito dolorido. Mas havia momentos de luz: bailes de carnaval, desfiles nas Escolas de Samba, Cirandas, Folias de Reis no Morro da Mangueira; Jongo na Serrinha, Danças Livres ao som dos ventos. Até entrar para a Escola de Danças Maria Olenewa (eu passei no exame!) e lá conhecer Lourdes Bastos e Klauss Vianna. Passei a entender que técnica e dança podiam ser aliadas e não inimigas. Dançar com os pés no chão e no palco era A Glória!

Assim meus pés começaram a trilhar caminhos distintos onde seus ligamentos claudicavam entre elevações e torções desconhecidas. Aprendi com Klauss a cuidar melhor de ambos, mas os massacres iniciais haviam feito grandes estragos ligamentares; muitas dores me acompanhavam sempre.

O tempo passando fez-me re.Conhecer trajetórias interessantes tanto na dança quanto na terapia; foram os pés que me levaram aos estudos terapêuticos.

Para torná-los mais harmônicos e ressonantes em seus males percorri estudos infindáveis buscando entender de alguma forma o que significavam seus movimentos e propostas.

Quando meus filhos nasceram e pude ver espelhado neles detalhes parecidos com os meus, passei a trilhar novas propostas de conhecimento. Como professora de Ballet Clássico tornei-me, primeiramente, professora de Dança onde passei a aplicar tudo o que colhi na trajetória de aluna; os SIM e os NÃO.

Com o fluxo da vida, acabei por assumir a postura de Educadora onde os estudos antropológicos, misturados aos terapêuticos, deram-me MOITAKUÁ onde a Dança Essencial ganhou espaço dentro da sua formação. Criei um método de ensino para uma Escola de Dança onde pretendi orientar sentidos a uma harmonização plena com as varias técnicas que moldam o Físico. Pura pretensão! Distúrbio do Ego!

Hoje cuido dos meus pés. Vejo-os com formas equilibradas passando-me mais segurança emocional; aprendo com eles a ver minha vida passar ... simples...mente!

27/10/2013

Na rede


Por Moema Ameom

Estava deitada na rede mergulhada em imensos vagalhões emocionais. Neles navegava  com certa tranqüilidade interior. Era um belo entardecer cuiabano. Em minhas preces pedia força para não fraquejar diante de mim mesma.


Buscava um porto seguro para entregar-me aos pensamentos, quando minha neta surgiu e jogou-se em meu colo. Abraçando-me fortemente questionou: ”Porque você esta triste, vovó?” Logo a seguir, sem espaço para a resposta, começou a falar comigo da mesma maneira como eu falava com ela quando era bebê, ali naquele mesmo lugar: ”Olha! As estrelas estão aparecendo! Vamos conversar com a D.Acácia para ela dançar pra você.” O vento começa a soprar; folhas e flores da bela Acácia dão início a harmoniosos movimentos. “ Viu só,vó! Elas estão conversando com você!” Enquanto fala me acaricia, dá muitos beijos dizendo “vai passar tudo”.


Se havia emoção revirada, agora havia emoção desaguada! As ondas de retorno conduziam-me a aprendizados colhidos juntas nestes quase quatro anos de convivência onde a distância física nunca nos impediu de ficarmos próximas.


De repente, ela sai da rede e começa a me balançar. “Lavínia, balança de vagar. Vovó não gosta da rede indo alto. Pode machucar você!” “Vó, precisa ser alto pra você ficar forte.” A palavra forte me desperta e eu vejo ali a mensageira do Universo a quem havia elevado meus pedidos. Apesar dos temores, entrego-me. Ela mostra com seus saltos e volteios que o receio focado nela era infundado. Meus medos infantis vão surgindo; medos adquiridos pela falta da vivência. Medos que não eram meus. Medos provenientes dos adultos que me rodeavam. O peito aperta, a angústia surge e eu quase grito: “Pára, Lavínia!” Ela ri, canta, dança e segue adiante! Imediatamente, algo explode em meu peito e eu começo a respirar diferente. Um forte jato de ar me revira por dentro, a vista turva, a pulsação acelera e ela então, com peraltice tranqüila vai parando a rede e salta para o meu colo. Muitos beijos e carinhos. “Pronto, vovó! Vamos brincar?”


Procuro levantar; não consigo. Vem o enjôo. Penso: minha bela terapeuta abriu um novo caminho no meu neurovegetativo. “Daqui apouco eu vou, querida!” Ela vai, eu fico. Os pensamentos tecem uma rede límpida de raciocínio sobre o acontecido e imediatamente insights da minha infância surgem descortinando-me os jogos familiares que distorceram meu caminho. Mais uma vez eles se aproximam de mim, mas, desta vez, novos movimentos vitais me acompanham.


À noite ao me preparar para dormir, meu doce anjo, começa a me cobrir com um lençol estampado. Diz: ”Fica bem quietinha, vó. Preciso cobrir você.” “Mas eu estou com calor, querida!” “É pra cuidar de você.” Depois que me cobre inteira, descobre meus pés e diz: ” Agora vou fazer massagem pra você dormir. Massagem no pé dá sono, né vó?” Mais uma vez os aprendizados se entrecruzam; todas as noites ela recebe massagens no corpo inteiro dos pais. Eu recebendo o que ensinei. Paraíso!


 No torpor do sono que chega paulatinamente, olho para o lençol e vejo-o totalmente vermelho sangue. Lembro-me que, à tarde, ao organizar o batizado do meu neto Luke que se aproxima, vi ser esta a cor do dia em que celebraremos a cerimônia. Pronto! Posso dormir.


Sonho com diversas situações de minha infância em que minha mãe e minha tia faziam-me de joguete para suas “birras” familiares. Ao acordar consigo enxergar o porquê dos vagalhões emocionais que me jogaram na rede; uma rede que não faz parte de meu caminho mas na qual fiquei me balançando por longos 63 anos, com medo de machucar quem me balançava.


Novo amanhecer. Sou abençoada com a visita de quatro papagaios que pousam diante de mim e de minha filha nos galhos da Amendoeira do fundo do quintal. Quatro. Sobrevoam nossas cabeças inebriando-nos com a beleza de seus vôos e gritos.


E assim o tempo FLUI!


27/10/2013

17 de outubro de 2013

JOGO DA VIDA


Por Moema Ameom

Os humanos construíram o Jogo de Interesses inspirados nos movimentos de partilha existentes no fluxo natural dos movimentos vitais. Esqueceram-se, porém, de aprenderem que este processo é regido por Kairós e não por Cronos; nele não há crono.logi(c)a.  

Ao colocarem os processos de partilha no anti-fluxo de seus organismos, instalaram redes de medo no Sistema Nervoso Periférico, alterando os tônus (hipo /hiper) viscerais que acaba por conduzi-los ao pânico. 

Muito se fala na “voz do coração”; este, totalmente envolvido nas teias da acomodação, está perdendo o som , o compasso e o seu tempo próprio (bio-ritmo); claudica, sem oxigênio suficiente, para um fim improdutivo.

Esta Dança, que nada tem de Essencial, conduza humanidade atual a nublar a visão, ensurdecer seus ouvidos; emudecer-se, caminhando a passos largos para o calabouço das idéias infrutíferas e improdutivas. 

Delas surgem, do mergulho na im.potência e in.satisfação pessoal (nem sempre conscientizada), a depressão orgânica ( nem sempre percebida). Sensores programados cronológica.mente, não mergulham no (in)consciente, onde a alma brinca com a psiquê completamente sem lógica.
Sempre haverá e há aqueles que, de posse do poder financeiro irá se colocar acima da maioria. Estes são aqueles que pensam( e se colocam de acordo com este pensamento) ser os “donos do jogo”; mantém em suas mãos “o poder” e este, por ser ficha importante no jogo criado, precipita-se sobre as mentes humanas com o único intuito de disponibilizá-las para continuar a jogar para ganhar. Perder jamais.

De longe, a Sol, estrela maior do nosso Sistema, sorri...gargalha...brinca...samba...coreografa sua Dança Essencial e vai, com seu tempo sistêmico, mudando as fichas de posição ao emanar potência justa para quem sabe utilizá-la.

Aos im.potentes, o poder, o medo de errar, de arriscar,de viver; o distanciamento do Fluxo Vital.
Infeliz...mente são a grande maioria, manipuladores do controle onde ação X reação não metaboliza a vitalização; prioriza o estresse (atrito desregulado) que sufoca.
Valores pessoais não são interessantes; são marginalizados em nome dos valores daquele(s) que “comanda(m) o barco”. De nada adianta sinalizar a alma, o espírito ou a arte como sendo importantes no Jogo. Sempre vence quem possui o poder, as cordas das marionetes.

Vence? Pra quem? Pra que? Com que objetivo? Em Cronos ( Matrix) até pode ser que vença...em Kairós jamais.

MOvimentar o ato de caminhar usando ITAS para pisar percebendo as KUÁS que conduzem o fluxo, constrói harmonia no inexistente ato de viver.

É preciso fortalecer este conceito, esta idéia para que o Amor , visto como sendo energia vital impulsora da medula óssea, venha a prevalecer neste Jogo dando novas regras e novos interesses para quem quiser construir um mundo de Paz.

Caso contrário a psico(a)patia dominará  o Planeta se transformando-o no manicômio do qual a maioria foge por medo das reações violentas nele contidas.

Gaia transformará! Ela jamais desiste! Até parece brasileira. Será? Dizem que Deus o é! Eu sou. Grito alto minha rica qualidade étnica! Embebedo-me constantemente com as energias de Bhrama( não a cerveja) onde o nada preenche o vazio fazendo-me humana e eterna criança.

15/10/2013