12 de outubro de 2013

DIA DA CRIANÇA! -dia de viver e reviver os medos!


Por Moema Ameom

Como em um carrossel, vamos girar a ampulheta para brincar de Guerra Santa. Foi nesta época, provavelmente, que os medos maiores começaram a se instalar nos Sistemas Humanos, isto para não citar a descoberta do fogo, quando pauzinhos e pedrinhas eram atritadas produzindo labaredas; sem falar do advento da roda! Vamos, por momentos, determo-nos nas tais guerras que tinham como objetivo maior trazer a Paz ao instalar e instaurar verdades absolutas em nome de um só Deus!

Qualquer movimento de reação era conceituado como sendo ações diabólicas provenientes de um ser subterrâneo; chorar, gritar, esbravejar, reivindicar direitos, enfim, toda e qualquer forma de reação colocada pra fora do corpo era vista como sendo obra do diabo. Até bocejar era pecado. Amar era pecado; procriar não.

Caminhando pela estrada da incoerência disseminada nesta “época abençoada”, vamos desaguar na 2ª.Guerra Mundial, passando pela descoberta da Psicologia por Freud ( 1856 / 1939 ). O mestre da insanidade! Imagine o que foi descobrir, dentro de uma sociedade apavorada com suas próprias reações, que existia um cérebro capaz de ser controlado por palavras que, uma vez estudadas, tinham o poder de orientar atitudes! E não vamos aqui nos estender dissertando sobre a lobotomia (ou locotomia) descoberta por António Egas Moniz em 1935 que recebeu o Nobel de Fisiologia ou Medicina em 1949; o sucesso levou a técnica a ser utilizada em crianças que demonstravam “mal comportamento”.

Quantas mulheres foram lobotomizadas pelo simples fato de sentirem um orgasmo mais profundo capaz de levá-las ao delírio do prazer! Prostitutas até podiam vivenciar tal fato desde que não atrapalhassem seus homens com sandices sensoriais! Tudo por uma razão ajustada no controle sócio-educacional!

E crianças nasciam dessas mulheres.

E homens existiam dentre a estas crianças.

Assim a sociedade foi sendo construída no medo das reações orgânicas. Sentidos, Cognição, Sentimentos continuaram sendo ações pecaminosas. Perceber, intuir, imaginar, talvez fosse coisas permitidas aos artistas, mas estes viviam à margem da sociedade.

Muito pouco adiantou Sócrates, nascido em 470 DC ter dito que “Sábio é aquele que conhece os limites da própria ignorância”; ou Nietzsche (1844/1900) salientar que “ Não somos como aqueles que chegam a formar pensamentos senão no meio dos livros- o nosso hábito é pensar ao ar livre, andando, saltando, escalando, dançando(...)”. Seguimos dando maior ênfase ao controle das emoções e reações orgânicas. 

Deixar sair das vísceras os gazes incomodativos que tanto malefício lhes causa era pecado. Feio. Sujo. Falta de educação. Não fale; não sinta; não emita opiniões!
Sim. A educação estava pautada nos processos de repressão. Estava?

Durante a 2ª.Guerra Mundial, alemães e americanos dominaram o campo da ciência com descobertas inovadoras e assustadoras. Cobaias humanas (como sempre) foram utilizadas com mais refinamento. Afinal de contas, mentes apavoradas, com redes de medo reprimidas, são capazes de gerar sádicos processos de vida. Colocar os medos para fora é questão imprescindível para a sobrevivência. E assim adentramos na “nova” (?) Era, onde os medos ganharam o suporte da ciência para serem melhor controlados. Desde então a humanidade a.credita, dá créditos a si mesmo como estando em um processo de evolução. SIM. 

Técnica.mente não podemos dizer que seja mentira.

Hoje somos capazes de fazer máquinas se moverem com o simples ato de pensar. Descobriu-se que emitimos ondas sonoras; que somos aparelhos eletros-estáticos e magnéticos. Quem tem acesso a estas informações? Como são utilizadas? Isto não interessa. Não há tempo para se perder com tantas bobagens. Os seres humanos permanecem em seus papéis de cobaias. Ou seja, quanto menor for a conscientização dos fatos, melhor.

Qual a diferença entre as cobaias de ontem (as dos campos de concentração, por exemplo) e as de hoje? Talvez seja a rede da ilusão que, através do avanço tecnológico dá ao Homem a sensação de poder que ele tanto precisa para se sentir existente. EU POSSO...é muito importante crer nesta máxima. E os marqueteiros sabem  disso.

Quando vejo anúncios disseminando a importância dos aparelhos em detrimento da afetividade familiar – já deram atenção devida ao anúncio onde um Pai assina um programa de TV para resgatar filhos e mulher que fugiram de casa? - ; quando vejo jovens levando soco na cara dado por um “Line”porque estão falando de suas emoções e logo depois aprendem que para não levar os socos precisam “falar menos e digitar mais”; quando modelo mundialmente famosa se coloca como uma pessoa estúpida dizendo que não sabia que cabelos envelheciam; quando percebo valores humanos sendo comparados à compra um belo carro; quando imagem de vida saudável é comer margarina que faz sorrir todo o tempo ou programa que dá receitas para manter a boa saúde incompatíveis com a renda per capita do nosso povo, deduzo que realmente continuamos na posição de cobaias de uma sociedade consumista. Até os tanques e armas já estão nas ruas como sempre estiveram.

Pessoas gritam e esperneiam por aumento de salários quando, se quisessem crescer realmente, teriam que lutar por diminuição do custo de vida. Mas, mentes obliteradas, estas que aprenderam a escamotear sentimentos e a construir suas razões e lógicas no MEDO, só podem mesmo caminhar por esta trilha antiga que nada construiu até aqui e que certamente continuará a não construir. O poder está nas mãos externas e não nas que cada um usa para estruturar sua individualidade. A união que faz a força não é aquela que faz fanfarra. Formigas não alardeiam seus movimentos. Apenas executam cada uma com sua real potência, suas ações do cotidiano. Aprender com formigas? JAMAIS! Não dá status. Não entra na mídia.

Tenho esperança no crescimento verdadeiro, mas sei que, com a evolução da ciência, com a descoberta de uma Inteligência Emocional, com o advento da Neurolingüística, a maioria dos Homens tornou-se poderosa demais instalando-se nos pedestais de sua verdades absolutas.O senso de humanidade está acabando.
O que restará? Robôs de laboratório? Já vejo milhares à minha volta sendo manipulados por seus próprios Egos inflados atrelados em outros mais inflados ainda. A Grande Matrix!

O Id (nossa criança-mestre interior), existente na medula óssea, sinaliza para o Sistema Humano a constante renovação molecular, esta não é percebida e quando o é gera foco externo por precisar de A.Tensão (regulagem do Hipo e Hiper tônus). Busca contato com o que é aceito no cômputo geral da sociedade em que vive. Tem medo dos bullings que sofrerá se não entrar na “onda”. A criatividade é morta pela tela do computador onde tudo se copia e nada se transforma sob pena de não ser aceito.

Este é um o movimento permanente; o círculo vicioso em que vive a humanidade há milênios.

A Guerra Santa ainda esta aqui. O separativismo perdura alimentando o MEDO da totalidade.  Os olhares não ganham reVisão; continuam a ver pequeno dentro de quadrados onde a luz não entra. 

Estamos nas trevas com medo do diabo!

O que há de ser de nossas crianças?

12 de Outubro de 2013



23 de setembro de 2013

É PRIMAVERA!

Por Moema Ameom



Quando o Dr.Stéphano Sabetti finalizou o prefácio do meu livro com a frase “ Que a verdade venha à tona”, eu nem de longe podia imaginar o que ela significava, apesar de, na época (1999) ter me imbuído da certeza de que sabia.

Este desconhecimento interno, unido à imensa curiosidade e criatividade que é peculiar ao meu Ser, moveu-me na direção do saber primitivo encolhido, amordaçado e aprisionado nas profundezas da minha medula espinal. Meu Soma guardava um tesouro precioso – uma Jóia Rara (para atualizar-me na novela da TV), onde a Psiquê dançava aguardando a libertação.

 Ali, naquela Dança Essencial, eu sabia que estavam as minhas verdades.

Alcançá-las tornou-se missão primordial; passei algumas prima.veras em busca daquela que seria o núcleo da questão; a primeira verdade, existente in.mim qual semente virgem para ser cultivada, adubada e germinada; de onde deveria ter extraído minha ações e reações naturais. Flores de um jardim cujos frutos alimentariam minha consciência.

Assim não foi, portanto, restou-me o trabalho de replantio.

Aprendi com alguns camponeses que cruzaram meu caminho a cuidar da Terra, a respeitá-la e a celebrar cada ciclo vital que Ela nos dá para viver. Ainda relembrando meu livro, uma parte dele causou polêmicas familiares intensas quando escrevi que aprendi a ser mãe com a mangueira do fundo de meu quintal. Mas era e é verdade! Fui entendendo que esses sentimentos vitais quando comunicados, causavam discussões, agressões, desalinhos e desavença em minhas ondas emocionais; eu colapsava. Enfraquecia-me distanciando-me do Corpo Ósseo onde existia a pérola (energia vital). A casca da ostra endurecida teimava em não amolecer.


Quando criei Moitakuá o fiz para tratar de mim mesma. Precisava ordenar idéias e conceitos sobre o que sentia; construí teorias para me auxiliar. Ganhei do OM seres humanos atraídos pelos movimentos emanados; fui semeando em seus corpos o que colhia deles depois de transformar-me com o que assimilava.

Hoje estou percorrendo a 13ª.Primavera desde o início desta trajetória onde a busca do meu interior fez-me percorrer múltiplos conhecimentos e reconhecimentos fisiológicos, psicológicos, teológicos, filosóficos, fisiátricos, quânticos e, principalmente, artísticos.

Descobri que não daria para encontrar a verdade primordial enquanto acolhesse no Soma os medos de vivências antigas. Re.cor.dar... Jamais seria capaz de colorir o presente com os fluxos do prazer enquanto não reconhecesse o que foi colhido no passado e como o apliquei no meu caminho. Permiti um olhar intenso para o que foi vivido entregando-me totalmente aos sentimentos que surgiam a cada visão. Assim fazendo fui amadurecendo sentimentos, saindo da fuga construída no Corpo Etéreo e  aproximando-me do Corpo Físico, meu Soma.

Faltava deixar dançar em minha matéria, a Essência, a Energia Vital, a Psiquê!

Nesta PRIMAVERA, diante do fogo da celebração, encontrei a chave!
Entendi o que tanto enfraquecia meu amor próprio, minha auto-estima: o medo da intuição!

“Em psicologia, intuição é um processo pelo qual os humanos passam, às vezes e involuntariamente, para chegar a uma conclusão sobre algo. Na intuição, o raciocínio que se usa para chegar a conclusão é puramente inconsciente, fato que faz muitos acreditarem que a intuição é um processo paranormal ou divino. Seu funcionamento e até mesmo sua existência são um enigma para a ciência. Apesar de já existirem muitas teorias sobre o assunto, nenhuma é dada ainda como definitiva. A intuição leva o sujeito a acreditar com determinação que algo poderá acontecer.” http://pt.wikipedia.org/wiki/Intui%C3%A7%C3%A3o

Se tivesse tido espaço para aprender desde sempre o quão artista eu era, certamente teria amadurecido minha intuição, mas, quando a arte é dada de fora para dentro, ela aumenta o medo da intuição por não abrir espaço para a experimentação da mesma através da cognição.

Frases como: “Você é uma artista que não sabe dar valor à arte que tem.” “ Você tem talento mas não tem vocação.” “Se tivesse insistido no talento teria vencido e hoje seria alguém com muito dinheiro e sucesso” desidrataram minha intuição que, seca, pouco pode adubar a consciência. Por sorte a pérola não parou de sacudir e chacoalhar a ostra, jogando-a em diversos níveis de inconsciência, para conduzir-me à sua extração.

Em meio ao mar cognitivo de emoções intensas, a intuição surgiu diante de mim destonificando as cadeias musculares, desunindo os lados encefálicos, desarmonizado os ossos do esqueleto, rompendo ligamentos, desestruturando as vértebras, ampliando os ossos do crânio maximizando os movimentos vitais celulares e moleculares, libertando a (in) consciência.

Ainda bem que criei Moitakuá! Querido companheiro de agruras, dores e doenças!

É interessante, mas um dos belos aprendizados que ele me deu foi que as dores das doenças muito se assemelham as da cura. Quando não conseguimos descobrir as diferenças, acabamos por tornar as doenças reincidentes, repetitivas e ampliadas com o passar do tempo. O continuum do fluxo transforma-se em cassetes de energia hiper-aquecendo a energia vital. O Câncer é um das doenças que melhor nos ensina sobre este assunto. 

Aprender com a doença é algo difícil na grande maioria das vezes, mas esta dificuldade só existe porque ela nos afasta da intuição, devido ao estresse emocional. Quando exercitamos o Sistema Nervoso Periférico dando-lhe capacidade de se livrar do excesso de hiper ou hipo tônus, Ela – a intuição- nos leva à cura. Caminho tão doloroso quanto o outro, mas capaz de conduzir o Sistema Nervoso Central ao Fluxo Vital de onde a vivência intuitiva e seu real valor ressurgem do campo da inconsciência. As chamas da transformação conduzem às cinzas do renascimento.

Alcancei minha linha de raciocínio onde razão e lógica, de braços dados com as sensibilidades gestam minha inteligência emocional.

Tenho talento e vocação para ser eu mesma! Quem diria!

Olho para trás sem medo de mergulhar nos sentimentos que as lembranças me trazem; eles não mais adubam meu presente porque sei que a grande maioria não me pertence. Fazem parte de aprendizados apreendidos e absorvidos sem a presença da minha intuição.

Acolhi e aceitei tudo que me foi doado por saber que fui e sou responsável pela plantação de meus atos, ações e reações em territórios alheios. Ninguém plantou por mim.

Bato macumba para celebrar os elementais terra, fogo, água, ar. Como brasileira miscigenada, celebro minha etnia e a capacidade que ela me deu de aprender a aprender.



Que a verdade sempre venha à tona!

Celebro A MORTE para fazer girar a roda DA VIDA!

Que Thanatus dance comigo ao som das Rock on roll!
 


6 de setembro de 2013

EU

Por Moema Ameom em 06/09/2013 homenagem póstuma à minha avó Céo da Câmara e sua loucura artística – herança bendita!





Cortar a Juba do Leão, levar Capricórnio pra pastar nas águas profundas de Escorpião, não é tarefa das mais fáceis. É como jogar o anel de Sauron no magma do vulcão e voltar para casa com olhos de ver: é ser Luke Skywalker amando Darth Vader; desligar-se da Matrix fortalecendo o saber; encontrar as maravilhas de Alice sem seguir o coelho; caminhar sobre o mar vermelho de meu sangue...nadar  no ar e ser pó.

Quando digo: “O Universo conspirou a meu favor”, o que quero dizer? Acredito que, na maioria das vezes, seja: “Fiz o que quis fazer” e, de preferência como o desejei. Deparo-me com o fato de que diante Dele – O Universo – sou poeira cósmica, portanto, seja lá o que me aconteça será conspiração a favor, porque Ele não caminha para ontem. Ele constrói o amanhã; o dia seguinte. O fluxo do continuum. Nada contra. Nada para punir, castigar, amaldiçoar. Tudo a favor mesmo quando o Ego, que no meu caso brinca e briga entre com meus sonhos, se digladia com as forças ocultas da minha essência vital.

Sendo assim, coitado do Capricórnio que deverá aprender a se alimentar de água. Nada de capim para ruminar. Acabou a ruminação. Não dá nem mesmo o que mastigar porque água foi feita para engolir e lubrificar a matéria. São muitos os desencontros destes movimentos: onde nada existe, tudo brota e onde tudo busco nada encontro. Não há dependências in.mim quando enxergo que nada nem ninguém depende de mim. Não há mais compartimentos onde guardar programas, partituras, alimentos para o futuro. Não tem como depender de quem orientei a não depender. E o Om ressoa em meus ouvidos, produzindo o vácuo do silêncio.
Devo acreditar que conquistei a tão esperada (in)evolução?

É isso que eu desejava tanto? Movimento pelo qual desbravei matas, surfei ondas caudalosas, escalei montanhas, caminhei em áridos territórios e naveguei em fantasias extraterrestres?

Não será esta conquista um grande sinal de loucura? O que me diferencia daquele que está internado como doente mental? Alguns diriam: a consciência.

Muito se fala sobre esta coisa denominada consciência. EU, inclusive, criei um método e o intitulei MOITAKUÁ - Movimento Consciente. O que sei eu sobre isso? NADA.

Tornei-me profissional do NADA.

Vagueio pelos horizontes do cotidiano observando a Low.Cura dos segundos que me conduzem ao passo seguinte e me pergunto: pra que planos? Qual a função do planejamento? Será isto ter consciência? Saber o que faço, pra que e porque executo? Ou será que ao planejar eu penso sobre minhas ações e consigo ver-me nas reações internas que este pensamento me causa? Será que ter consciência significa ser capaz de me observar diante de mim mesma? Pra que serve isso?

De acordo com o contrato firmado diante do momento vivenciado irá servir para alguma coisa que eu utilizarei para realizar algo. Será que este “algo” ou “alguma coisa” está me satisfazendo de verdade? Está produzindo prazer na minha matéria? Por que tem que me dar prazer? O desprazeroso, sendo conspiração universal, também pode me conduzir ao prazer? Se fluxo é prazer...o que fazer para descobrir?

Categórica...mente...NÃO SEI.

Não aprendi a reconhecer este jogo nas minhas vísceras. Não brinquei com suas normas e regras. Sinto muito mas não sei jogar.

Então, conscientemente, estou procurando entender como faço para reconhecer, na fração do segundo o “algo” que me satisfaz, mesmo porque, caso contrário, como irei construir motivações verdadeiras para minha alma? Sendo Ela a força Motriz da minha Matrix, como gerar impulso sem nem ao menos saber o que me move? Se não sei o que....como saberei pra que? Por que?

Esta confusão fica até engraçada ao ser escrita mas, quando atinge as raias dos sentidos, joga-me no fogaréu leonino do meu ser e escurece minha visão. Vou às cegas em busca de apoio. Vou às cegas em busca de mãos que possam ser estendidas para mim. Nestes momentos, gostaria muito que tivesse a minha volta muitas pessoas dependentes de mim onde eu pudesse me agarrar.

Atenção criatura!

Não é nem nunca foi este o seu desejo. Não foi isto que pediu para o Universo. EU abri mão de tantas âncoras, saí de tantos portos seguros, abri múltiplas gaiolas, pra que? Para que agora queira ter onde me agarrar?

As pernas fraquejam. Os pés claudicam. Quero caminhar e não encontro firmeza.

Caminhe sob suas águas, guria!

Corte a juba do Leão e aqueça-se no fogo da Sol! Não a olhe dentro de você. Você não É Ela.

Sim. Sou sua filha. Sou Xintz, a fagulha curiosa que se materializou.
Uma fagulha feita de pó. Ou será o contrário? Será que pó forma fagulha?

O que ensino? O que não sei.
Como curo? Curando-me.
Como ajudo? Auxiliando-me.
Egoista...diz a massa!

Só penso em mim.
Mas...se mesmo assim ainda não sei o que fazer comigo, como fazer para não ser EGOista?
Matei meus Egos passo a passo, a cada tesourada que dava na juba do meu Leão, a cada empurrada que dava na minha Cabra montanha abaixo.

Hoje ao olhar para todas as mortes percorridas, revejo personagens, histórias, estradas, caminhos, coreografias, melodias, catalogando-as nas emoções que moldaram meus ossos.

Agarro-me à fé medular e deixo farfalhar as asas da libélula! Estou no casulo e nem mesmo sei se quero sair dele para voar.



É melhor rastejar como Escorpião dando um VIVA aos movimentos vitais!

Os desenhos/pinturas aqui apresentados fazem parte da Exposição Caveranation dos artistas plásticos Victor Rocha e Kadu 




12 de agosto de 2013

REUNIÃO FAMILIAR


Por Moema Ameom

Nada melhor do que uma reunião familiar para aprendermos muito sobre nós mesmos. Os presentes e ausentes tornam-se mestres ao transmitirem ensinamentos através de ações e reações espelhadas nos olhares, esgares, expressões, atitudes e movimentos somáticos; legados gravados na medula. Ontem fui abençoada com um riquíssimo momento de fortes aprendizados. Dia dos Pais!

Os pais dos pais refletiam-se, espelhavam-se e mostravam os processos de adequação aos novos tempos e os desejos de os transformarem. Os esforços visíveis para construção de harmonia sinalizavam o distanciamento criado pelas emoções não vivenciadas a contento. 

Eu, mera espectadora, fui colhendo dados para o meu amadurecimento. A Psiquê aquietada na paz do meu Soma, permitiu-me gerar olhares limpos de julgamentos e críticas. Pude perceber os seres humanos através de suas máscaras. Captei a tensão gerada pelos ausentes que, com seus jogos de fragilidade emocional, teimam em enfraquecer as almas presentes. Nada fácil perceber esta rede de relacionamento que mina o Soma qual erva daninha em jardim frondoso!

De toda esta rica e proveitosa vivência compartilhada no/com meu fluxo orgânico, alguns pensamentos inquietantes foram surgindo instigando o ajuste das redes de meu Sistema Nervoso Periférico; o Central agradeceu!

Coloco aqui os questionamentos que me fiz com o intuito compartilhar a (in)quietação e, como não desisto nunca (sou brasileira), quem sabe poder construir algo mais.

1-      Porque raramente vemos olhares se fixando quando há palavras? Falamos ao outro olhando a quem? Antes que me digam que é imaginação minha...será que já parou para observar este pequeno detalhe em você? Por acaso sente os movimentos de seus olhos? Sabe onde o foca ? Para além da tela do Computador e derivados, para onde vai sua visão?

Fiquei observando o olhar de meu neto Luke que em seus três meses de matéria tanto ensinava sobre o que vem a ser foco. Minha neta Lavínia na maturidade de seus três anos bem vividos, focava e desfocava captando o que lhe servia deletando o excedente. Em sua verbalização, o brilho da consciência sobre seus movimentos.

2-      Porque o riso significa alegria? Porque espasmos de contração corpórea diante do forte latido de um cão é considerado e diagnosticado como sendo “medo” ou “susto”? Por que não conseguimos ver apenas como sendo reações? O que nos faz embotar o raciocínio diante do óbvio? Como pode um bebê saber o que vem a ser medo, susto, alegria? De onde ele irá extrair estes conceitos? Por que não deixá-los descobrir sozinhos criando seus próprios códigos? Se assim o fizessem será que as heranças genéticas poderiam ser vistas apenas através dos genes ? Desde quando genes nos dá felicidade? Criam pensamentos e conceitos? Porém...

3-      O que faríamos dos nossos movimentos sem a formatação do mimetismo? Copiar é bem mais fácil que Criar. Orientar para a copia satisfaz o Ego (de quem orienta); a criação fortalece o Id. Dar apoio para o crescimento do Id significa respeitar o biorritmo. Na pressa dos dias de hoje onde tudo tem que ser pra ontem, onde a excitação e a ansiedade fazem parte do cotidiano, como aprender a respeitar? Tudo é bem aceito quando segue os padrões que nos agrada; quando saímos deles, os olhares tornam-se obscuros e a raiva transborda pelos poros. Não há necessidade de palavras para serem assimilados e absorvidos. Forma-se assim o (in)consciente.

4-      Clama-se por liberdade de expressão! Fazem-se revoluções em nome dela! O que vem a ser isso? Esta coisa? Esta manifestação da alma? Quando penso nela me vem a imagem do pássaro. Pode até ser o melhor símbolo da Liberdade....abrir as asas e voar! Hoje em dia, tendo dinheiro, o Homem vai de avião para onde quiser. Será mais livre do que os Homens de ontem que andavam a cavalo ou a pé?

Uma vez em excursão com jovens pela montanha disse-lhes: “Não se prendam ao meu tempo. Sigam no de vocês. Iremos nos reencontrar na cachoeira.” Lá foram eles curtindo a liberdade da potência das pernas movidas pela ansiedade de chegar mais rápido. Para preencher meu tempo fui observando tudo que se passava por mim. Em alguns trechos precisei sentar-me nas pedras para respirar melhor; noutras fiquei alguns momentos observando borboletas, formigas, folhas que dançavam ao vento. Quando alcancei o ponto de encontro já estavam comendo, banhando-se, felizes ....muito felizes alguns poderiam dizer, pois riam muito, cantava, conversavam sobre...? Não me lembro.

Ao chegar, sentei-me e comecei a falar sobre o que havia visto, presenciado, curtido, assimilado da minha caminhada. Pensei em compartilhar as vivências, mas ninguém havia visto o que eu vi. Aos poucos as expressões foram ganhando contornos diferentes daquelas consideradas como sendo “expressões de alegria” Foram ganhando reflexões; eu poderia chamar de tristeza, melancolia, depressão, mas para mim, naquele instante começou a haver a verdadeira comunicação.

Passamos a olharmo-nos nos olhos. Emoções pulularam! Na volta, caminhamos lado a lado.

5-      Voltando aos familiares... quantos daqueles ali presentes caminharam lado a lado? Quantos buscaram harmonizar seus tempos? Por que um tempo mais rápido é considerado errado daquele mais lento? Por que temos que alterar nossos ritmos em nome de uma convivência? Em uma banda de rock, poderá uma bateria tocar   no mesmo tempo de uma guitarra? Quando lemos uma partitura escrita para piano, o que é preciso fazer segui-la ao tocar um violino? Quando dizemos que o Maestro rege bem?

Alterar um tempo em prol do outro gera o que dentro dos organismos? Se você só é capaz de subir uma escada em 2/4, o que acontecerá aos processos dos aparelhos respiratório e circulatório se subir em 6/8 para acompanhar o outro? Se o fizer isto irá significar que o está acompanhando? Qual a qualidade desta parceria?

Poderia seguir adiante com meus questionamentos, mas tendo sido estes os que mais ajudaram a evoluir-me, resolvo parar por aqui. Os demais quase passam como sendo supérfluos. 
No mais, resta-me vibrar de felicidade por ter percebido meus netos começando a construir caminhos de ressonância harmônica entre eles apesar de todas as interpretações alheias trazendo á tona títulos como: ciúme, medos, insegurança, raiva e desajuste emocional. Qual de nós ali presentes poderiam sentar em volta de uma mesa (porque no chão jamais), para dissertar sobre estes temas olhando para seus próprios umbigos?

Eu me apresento para brincar de perder para se achar, homenageando meu pai!


12/08/2013